Funaro entrega à PF imagens de contatos com Geddel

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Entre eles: o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, os ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique Alves, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, e o vice-governador de Minas Gerais, Antônio Andrade.

Essas operações, segundo Funaro, geraram "comissões expressivas, no montante aproximado de R$ 20 milhões".

De acordo com Funaro, que está preso há um ano em Brasília, os 20 milhões que foram distribuídos entre a campanha de Temer e de Gabriel Chalita eram fruto de uma negociação na vice-presidência de Fundos de Governo e Loterias (Vifug) da Caixa, uma das controladas pelo PMDB, para liberar recursos do fundo FI-FGTS para as empresas BRVIAS e LLX.

O doleiro Lúcio Funaro declarou à Polícia Federal, que o presidente Michel Temer sabia do pagamento de propinas na Petrobras. "O declarante [Funaro] pagou comissão desta operação a Eduardo Cunha e a Moreira Franco; os pagamentos foram feitos em espécie, não se recordando dos valores neste momento, mas que posteriormente irá apresentá-los", disse Funaro, segundo o termo de depoimento, divulgado pela Folha. Segundo esse relatório, houve prática de corrupção passiva de Temer "em face de, valendo-se da interposição de Rodrigo Rocha Loures [o assessor especial da presidência filmado a carregar mala com dinheiro], ter aceitado promessa de vantagem indevida em razão da sua função". Em nota enviada por mensagem à Reuters, o ministro Moreira Franco afirma que nem mesmo conhece Funaro.

A PF solicitou mais prazo para a conclusão do inquérito, que deverá servir de base para a possível denúncia a ser oferecida nos próximos dias pela Procuradoria-Geral da República.

Segundo Funaro, "de todas as operações feitas com o grupo J&F, Geddel recebeu ou receberia comissões pagas por ele, com exceção da operação de crédito para a compra da empresa Alpargatas pela J&F". Depois dele, que deixou o governo no final do ano passado, o interlocutor passou a ser Loures -o ex-deputado flagrado recebendo uma mala com R$ 500 mil da JBS.

Para confirmar que Geddel era o antigo interlocutor de Temer, a PF ainda usou os depoimentos de Funaro e do diretor Jurídico do Grupo J&F, Francisco de Assis e Silva.

Em Moscou, onde cumpre agenda oficial, Temer evitou comentários sobre o relatório parcial da PF que encontrou indícios de corrupção passiva envolvendo seu nome. "Vamos esperar. Isso é juízo jurídico, não é juízo político". "Um relatório sobre investigações deveria ser apenas um relato das mesmas investigações, e não uma peça acusatória".

A assessoria da Caixa Econômica informou: "Em relação às investigações, a Caixa esclarece que está em contato permanente com as autoridades, prestando irrestrita colaboração com os trabalhos, procedimento que continuará sendo adotado pelo banco".

Procurado nesta terça-feira (21), o ex-ministro Geddel Vieira Lima não havia sido localizado até o fechamento deste texto. "Inclusive, tratou-se de manchete de diversos veículos de informação, o alegado 'sumiço' do Senhor Geddel Vieira Lima que, sempre confiando na serenidade da justiça e probidade de sua conduta, espera que seja prontamente restaurada a realidade histórica dos fatos", diz a nota assinada pelo advogado Gamil Föppel.

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