Comandante do Corpo de Bombeiros pede exoneração após escândalo de propinas

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Uma operação da Secretaria de Segurança, Polícia Civil e Ministério Público do Rio resultou ontem na prisão de 34 pessoas (32 bombeiros e 2 empresários), acusados de negociar propina para liberar o funcionamento de estabelecimentos comerciais sem os documentos exigidos por lei.

O secretário de Estado de Defesa Civil e comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ), coronel Ronaldo Alcântara, em reunião com o governador Luiz Fernando Pezão pediu exoneração do cargo no fim da tarde desta terça-feira, após a operação Ingenium. Também durante a operação foram apreendidos R$ 300 mil.

Entre os 35 bombeiros denunciados estão dez coronéis, sendo dois da ativa e oito da reserva, oito tenentes coronéis, dois majores, oito capitães, um primeiro tenente, um subtenente, três segundos sargentos, um terceiro sargento e um cabo bombeiro. Todos os detidos foram indiciados por organização criminosa, crime cuja pena é de prisão por 3 a 8 anos. A polícia cumpriu ainda 67 mandados de busca e apreensão nas casas dos suspeitos, em quartéis dos bombeiros e empresas.

Segundo as investigações, dois assessores especiais do Comandante Geral do Corpo de Bombeiros indicavam os comandantes destas unidades.

Com base em escutas telefônicas, os investigadores descobriram que o esquema de corrupção ocorria no setor de engenharia de diversos grupamentos militares, principalmente no 4º GBM (Nova Iguaçu), no 14º GBM (Duque de Caxias) e no GOPP (Grupamento de Operações com Produtos Perigosos).

O grupo é suspeito de cobrar propinas de comerciantes irregulares para fraudar alvarás de funcionamento.

As investigações comprovaram ainda que locais de diversões que reuniram grande público, inclusive um estádio de futebol, receberam as documentações sem cumprimento das exigências de segurança para proteção da vida das pessoas e do patrimônio, caso houvesse incêndio.

Na ação, foi identificada também a falta de um documento para liberação, no ano passado, do Estádio Giulite Coutinho, do clube América, em Edson Passos, na cidade de Mesquita, na Baixada Fluminense.

A intenção do tricolor era usar o local desde o início do Brasileirão, em maio.

Em nota, o Fluminense afirmou que "jamais se valeu de práticas ilegais nem se utilizou de vantagens indevidas com qualquer órgão público".

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