Condutor que matou cinco peregrinos assumiu a culpa, mas não toda

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O julgamento do georgiano Levan Monseshvili, de 26 anos, autor do atropelamento que matou cinco peregrinos no IC2, na zona de Cernache, na madrugada de 2 de Maio de 2015 (3h45), começou ontem no Tribunal Judicial de Coimbra, com o arguido a pedir desculpa e a assumir "a 100% que fui eu que causei a tragédia".

O jovem, que residia em Penela, sublinhou que bebeu "umas cervejas" em Coimbra, mas não "estava embriagado - se estivesse não tinha conduzido" (a acusação fala de uma taxa de alcoolemia de 0,9 gramas/litro de sangue).

O arguido acusou também o consumo de substâncias psicotrópicas."Mandei uma ou duas passas", afirmou.

E lembrou que aquando do despiste havia nevoeiro, humidade na estrada e que sentiu o carro fugir, tentando moderar a velocidade.

Quando questionado pela defesa se o acidente também foi uma experiência traumática para ele, o arguido, apesar de dizer que já nada é "como era dantes", recusou-se a falar de si próprio: "Magoei muita gente". O caso remonta às 03h45 do dia 2 de maio de 2015, quando um carro entrou numa curva em contramão, no sentido de Coimbra para Condeixa-a-Nova, e abalroou um grupo de peregrinos que se dirigia para Fátima.

Não podendo fugir à evidência de que era o condutor e de que acusou álcool e droga, Levan Monseshvili contestou a acusação no ponto em que é acusado de condução perigosa. Cinco das nove vítimas morreram.

O Ministério Público indica ainda que o arguido acabou por "perder por completo" o controlo do carro ao descrever uma curva à esquerda, invadindo a faixa contrária e colhendo no despiste nove peregrinos de um grupo de 80 que seguiam na via reservada pela Infraestruturas de Portugal para os mesmos.

A TVI testemunhou, ainda, a indignação das testemunha e familiares dos falecidos por este julgamento ocorrer mais de dois anos após o acidente.

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