Cármen Lúcia adia julgamento sobre suspensão de denúncia contra Temer

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O procurador-geral alega também que, além de Michel Temer, o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, os ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha também participariam da organização criminosa. Segundo o procurador, os políticos denunciados arrecadaram mais de R$ 587 milhões em propina. "Os prejuízos decorrentes da corrupção são difusos (lesões à ordem econômica, à administração da Justiça e à administração pública, inclusive à respeitabilidade do parlamento perante a sociedade brasileira), sendo dificilmente quantificados", escreve Janot. Em caso positivo, o relatório recomendando a investigação contra o presidente será submetido à votação nominal, pelo processo de chamada dos deputados. "Também há imputação do crime de obstrução de justiça por causa dos pagamentos indevidos para evitar que Lúcio Funaro firmasse acordo de colaboração premiada". A acusação estava baseada nas investigações iniciadas a partir do acordo de delação premiada da JBS. O centro da crise é uma gravação, datada de 17 de março, em que Joesley e o executivo da J&F Ricardo Saud indicam possível atuação de Marcello Miller no acordo de delação quando ainda era procurador da República - ele deixou o cargo oficialmente em 5 de abril. Neste sentido, Michel Temer é acusado de instigar Joesley Batista a pagar, por meio de Ricardo Saud, vantagens a Roberta Funaro, irmã de Lúcio Funaro. Esta é a segunda denúncia criminal de Janot contra Temer. A declaração foi dada durante sustentação oral perante o pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), durante a sessão em que os ministros da Corte analisavam pedido da defesa do presidente Michel Temer para suspender eventual segunda denúncia apresentada por Janot contra ele, até que as provas obtidas por meio dessa delação sejam analisadas pelo Ministério Público e pelo STF.

Já o crime de organização criminosa resulta de uma investigação sobre o suposto "quadrilhão do PMDB da Câmara".

Mas a Câmara de Deputados votou em agosto contra o encaminhamento desta denúncia ao STF. Isso porque o pleno da corte precisa concluir a decisão sobre se as provas colhidas na delação dos executivos da J&F podem ser válidas, já que descobriu-se que houve ocultação de informações.

Se o plenário do Supremo liberar a denúncia para a Câmara na próxima quarta-feira, a Casa Legislativa é quem dará a palavra final sobre a acusação - pode aceitar ou rejeitar.

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