Juíza afasta pais de garoto deixado em cela com estuprador no Piauí

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O caso foi descoberto no início da madrugada do último domingo (1°), quando agentes penitenciários observaram que, ao término do período de visita, um visitante não havia saído do presídio do Piauí. A juíza Andrea Parente Lobão Veras decretou a prisão preventiva do pai do menino e do detento José Ribamar Pereira Lima, 65, que estava com o adolescente na colônia agrícola Major César de Oliveira.

Zé Roberto declarou ainda que após o ocorrido, o detento que ficava na cela onde o garoto foi encontrado foi transferido para a ala de triagem. "Eu deixei o meu filho a pedido dele, porque eu ia voltar no outro dia", informou Gilmar em depoimento ao delegado, ao lado da mãe da criança, a dona de casa Sebastiana Rodrigues Gomes, de 48 anos, que não tinha concordado com a permanência do filho no presídio. Ainda segundo o sindicato, o menino não possui parentesco com o detento, que, segundo a Secretaria de Justiça do Piauí, está preso por estupro.

O pai das crianças ficou amigo de José Ribamar ao dividir cela com ele, enquanto cumpriu pena, também por estupro de vulnerável.

O garoto foi submetido a exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), onde não foi comprovada conjunção carnal e nenhum tipo de violência.

Numa versão informal dada a uma representante do Conselho Tutelar de Menores de Altos do Piauí e que causa alguma estranheza, os pais do miúdo disseram que o deixaram na cela do preso, conhecido deles, porque estavam demasiado cansados para andarem com o filho de um lado para o outro. Afirmaram, ainda, que voltariam no dia seguinte para buscá-lo.

O conselheiro tutelar Djan Moreira informou que o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Piauí se reuniu nesta terça-feira com o Conselho Tutelar de Teresina pedindo providências.

Segundo o secretário de Justiça Daniel Oliveira, os grupos terão 15 dias para apresentar um relatório com novas propostas, mas as novas regras serão válidas para todos os presídios. "Tem de ser investigado se houve favorecimento financeiro para que esse menino ficasse em poder desse preso", disse o vice-presidente do sindicato, Kleiton Holanda. Mas se o menor está em uma cela juntamente com um cidadão que já cometeu um crime sexual, a possibilidade, a periculosidade e vulnerabilidade do menor ser abusado são grandes. Por isso, o setor não tem cerca ou muro e, ainda de acordo com o Sinpoljuspi, os presos têm acesso livre à BR-343, que fica diante da unidade prisional.

O menino nega que tenha sofrido abuso por parte do detento.

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