Fatah e Hamas assinam acordo de reconciliação

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"As conversas se concentraram em impulsionar o governo de consenso nacional para que trabalhe com todas as suas competências tanto na Cisjordânia (governada pelo Fatah) como em Gaza (controlada pelo Hamas)", assegurou Arouri.

O acordo levantará as barreiras ao fornecimento da eletricade para Gaza, restituirá um emprego a dezenas de milhares de empregados da Autoridade Palestiniana no território e, em troca, o governo de Gaza passará para as mãos de um executivo de unidade liderado pela Fatah de Abbas.

Apesar de fracassos passados, o acordo de ontem parece mais credível: o Hamas, de resto, perdeu recentemente o financiamento vindo do Qatar e está a braços com uma das maiores crises económicas em Gaza; e a Fatah, por seu lado, moderou também a resposta ao rival.

Esta seria a primeira visita do presidente a Gaza desde 2007, quando o Hamas assumiu o poder no enclave depois de expulsar a Autoridade Palestina após violentos confrontos com o Fatah. Desde então, houve diversas tentativas de reconciliação, a mais recente em 2014.

Em setembro, o Hamas concordou em ceder o poder sobre Gaza à ANP, ainda que o destino de suas forças militares no território tenha sido um obstáculo para as negociações.

Em 6 de maio, Haniyeh, adotando uma linha pragmática no seio do Hamas em relação a Israel, é eleito para dirigir o escritório político de seu movimento. Em junho, é formado um governo de unidade, composto de tecnocratas apoiados pelos dois partidos.

A Fatah anuncia que o presidente Abbas se deslocará nas próximas a Gaza, pela primeira vez em 10 anos. Segundo a liderança do Fatah em Gaza, as medidas restritivas deverão ser removidas em breve. Até agora, aquele que era o único ponto de passagem segura para os dois milhões de habitantes de Gaza para o exterior era frequentemente encerrado pelo Egipto, intensificando o bloqueio sofrido pelo território.

Tanto Israel quanto o Egito limitam a entrada e saída de moradores e produtos de Gaza desde que o Hamas tomou o controle da região. Em contrapartida, Cairo pressionou o Hamas para que levasse adiante o processo de reconciliação.

O Fatah afirma que o local deverá supervisionado pela Agência Europeia de Fronteiras (Eubam). A 06 de fevereiro acordam entregar a Abbas a direção do governo transitório, mas a decisão contestada no seio do Hamas nunca é aplicada.

E, apenas dois dias depois, nesta quinta-feira, o Hamas anunciou um acordo "sob os auspícios do Egito".

"Qualquer reconciliação entre a Autoridade Palestiniana e o Hamas deve incluir um compromisso de respeito pelos acordos internacionais e pelas condições do Quarteto (para o Médio Oriente), a começar pelo reconhecimento de Israel e pela desmilitarização do Hamas", referiu o responsável, na primeira reação israelita à assinatura de um acordo de reconciliação entre movimentos rivais palestinianos. Abre-se um "novo capítulo na História palestiniana", lançava um porta-voz do Hamas, Salah al-Bardawil, nada dizendo, como o acordo, sobre o futuro dos cerca de 25 mil militantes armados do grupo.

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