Fitch afirma rating do Brasil em BB, com perspectiva negativa

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SÃO PAULO E PORTO ALEGRE - (Atualizada às 16h) A Fitch Ratings reforçou a nota de crédito do Brasil em 'BB', com perspectiva negativa.

Segundo a agência, limitam as notas do país a debilidade estrutural nas finanças públicas e o alto endividamento do governo, fracas perspectivas de crescimento e indicadores de governança mais fracos do que os pares do país, além do recente histórico de instabilidade política. "Essas fraquezas são contrabalançadas pela diversidade econômica e pelas instituições civis consolidadas, com sua renda per capita maior que a da mediana dos BB", diz a agência. Na avaliação dela, a capacidade do Brasil de absorver choques é apoiada por uma taxa de câmbio flexível, pela posição de reservas internacionais "robustas", por uma forte posição de credor externo soberano e por mercados de dívida dos governos domésticos desenvolvidos e enraizados. "Uma melhora no ambiente político, a redução de desequilíbrios externos e a aprovação de algumas microrreformas nos últimos meses apoiam o perfil de crédito", considera a agência.

A perspectiva negativa reflete continuidade de incertezas sobre recuperação econômica do Brasil, perspectiva para estabilização da dívida no médio prazo e progresso de agenda legislativa, especialmente relacionada à reforma da Previdência, disse a agência, em relatório divulgado nesta sexta-feira.

Segundo a Fitch, um ambiente político desafiador ainda impede o progresso da reforma da Previdência, considerada pela agência como importante para a viabilidade dos gastos públicos no médio prazo.

A Fitch espera uma modesta recuperação cíclica no Brasil, com o crescimento acelerando de 0,6% em 2017 para uma média de 2,6% durante 2018 e 2019. Uma recuperação do investimento também é esperada para os próximos anos. "Os riscos de baixa para o crescimento poderiam vir de incertezas subjacentes políticas, fiscais e nas reformas", sustenta a agência.

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