UE proíbe venda de armas à Venezuela e congela ativos de autoridades

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A União Europeia proibiu a exportação de armas e equipamentos militares para a Venezuela, que podem ser utilizados para repressões, informou o Conselho da EU nesta segunda-feira (13).

"Deu-se mais um passo no processo de discussão que temos tido e de tomada de medidas que temos assumido em relação à Venezuela e hoje ficou definido o quadro jurídico que virá a ser aplicado em relação a pessoas singulares ou coletivas a definir", disse Santos Silva, em conferência de imprensa, no final da reunião do Conselho de MNE da União Europeia (UE), em Bruxelas.

Para evitar que a Venezuela agudize a já de si débil situação económica, Bruxelas decidiu deixar para mais tarde a escolha de alvos económicos, dando assim ao Presidente Nicolas Maduro mais algum tempo para refletir. Além disso, autoridades responsáveis por violações de direitos humanos sofrerão restrições para viajar e o congelamento de ativos. Uma fonte diplomática indicou que, por enquanto, esta é apenas uma advertência a Caracas.

As medidas podem ser revogadas dependendo da reação de Maduro ao pedido de mais democracia no país, acrescentou o comunicado divulgado pelos ministros europeus.

"Complementarmente aos seus esforços políticos e diplomáticos com vista a uma solução pacífica negociada para a crise política, o Conselho decidiu hoje por unanimidade adotar medidas restritivas, sublinhando a sua preocupação com a situação no país", lê-se nas conclusões sobre a situação na Venezuela, hoje adotadas pelos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, reunidos em Bruxelas.

O presidente Nicolás Maduro afirmou que a Venezuela "nunca" dará um calote, ao renovar o convite aos proprietários de títulos para um encontro às 16h de Brasília com o objetivo de renegociar a dívida de seu país e da petroleira PDVSA, que chega a quase US$ 150 bilhões. A instalação da Assembleia Constituinte teria sido a gota d'água para a UE abrir caminho para o estudo de sanções.

Em declarações à AFP, a embaixadora venezuelana na UE, Claudia Salerno, questionou no fim de semana o alcance dessas sanções "etéreas", já que a Venezuela "não tem dependência" das armas, ou o material eletrônico suscetível de ser usado para reprimir internamente.

A UE se soma, assim, ao Canadá e aos Estados Unidos na adoção de sanções contra a Venezuela, embora Washington tenha ido além.

Na quarta-feira (15), devem ser retomadas as negociações entre delegados do governo e representantes da oposição na República Dominicana.

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