'Não sou Adhemar de Barros, rouba, mas faz', diz Cabral

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O ex-governador do Rio Sérgio Cabral desmentiu que o anel dado pelo empresário Fernando Cavendish à mulher dele, Adriana Ancelmo, tenha sido parte de propina. A contrapartida ao mimo, segundo Cavendish, teria sido a participação da Delta nas obras de reforma do Maracanã para a Copa de 2014. Segundo o perito em predras preciosas José Ricardo Bandeira, pedir que alguém pague uma jóia é mais suave do que dar dinheiro de propina, por isso, esse é um método muito comum em casos de corrupção. Cabral disse que não atuou escolhendo as empresas que participariam da licitação da reforma do Maracanã e deixou subentendido que o governador atual do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB) teve autonomia no processo. Os executivos afirmaram ainda que o ex-governador Sérgio Cabral, pedia uma propina no valor de 5% sobre o faturamento dos empreendimentos e indicava o ex-secretário de governo, Wilson Carlos, como o responsável pela interlocução com as empresas. Mas Cabral rebateu as acusações: "Presente de puxa-saco para me agradar, para minha mulher, que foi devolvido e ele assumiu", disse Cabral.

A existência do presente foi divulgada em outubro do ano passado, quando Cavendish negociava uma delação premiada, ainda não firmada.

Ainda segundo Cavendish, a Delta pagou propina de R$ 3,5 milhões a Cabral para entrar no consórcio, que incluiu a Odebrecht, para as reformas do Maracanã. Disse para ele que aquilo não era apenas um presente, que a gente teria que acertar.

Sobre o Maracanã, Cabral leu os nomes de membros da comissão de licitação e afirmou não ter feito nenhuma indicação e nem ter relacionamento com nenhum deles. De outro lado, o ex-secretário de obras Hudson Braga disse que os processos licitatórios eram de responsabilidade da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop). No entanto, classificou o comportamento do proprietário da Delta de "risível e covarde" e disse que revela o "desespero de um empreiteiro encalacrado".

Segundo o ex-governador, a obra do Maracanã foi bem-sucedida e o estádio, diferentemente de outros projetos que resultaram em elefantes brancos, tem sido bastante utilizado. O meu então vice-governador Pezão foi nomeado por mim secretário de Obras.

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