Manifesto de artistas e intelectuais defende assédio masculino

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Cem mulheres, incluindo a famosa atriz Catherine Deneuve, subscreveram uma carta aberta a condenar o feminismo baseado no "ódio aos homens", hoje publicada pelo Le Monde. Mas cortejar de forma insistente ou desajeitada não é um delito, assim como o galanteio não é uma agressão machista, afirmam no jornal Le Monde uma centena de atrizes, escritoras, pesquisadoras e jornalistas. Manifesto diz que "liberdade de importunar" é indispensável á liberdade sexualCerca de cem artistas e intelectuais francesas lançaram nesta terça-feira (09/01) um manifesto criticando o "puritanismo" da campanha contra assédio sexual, surgida por conta de casos envolvendo o produtor Harvey Weinstein, e defendendo a "liberdade de importunar" dos homens, que consideram "indispensável à liberdade sexual".

Estas 100 personalidades, onde se incluem ainda a escritora Catherine Millet, e as atrizes Ingrid Caven e Catherine Robbe-Grillet, entre outras, falam de uma "caça às bruxas" que ameaça a liberdade sexual, fazendo a ressalva, logo no início do texto, que "A violação é um crime".

O artigo, assinado por uma centena de mulheres, provocou reações imediatas. Em um claro contraponto ao movimento "Time's Up" ("acabou o tempo", também em tradução literal), que vai custear as batalhas legais de vítimas nos Estados Unidos, o grupo de francesas defendeu que muitos homens "foram penalizados na profissão ou obrigados a se demitir quando seu único erro foi tocar um joelho, tentar um beijo, falar de coisas íntimas no trabalho ou enviar mensagens de conotação sexual a uma mulher que não sentia atração recíproca".

"Isto apenas encoraja a enviar os homens para um matadouro, ao invés de ajudar as mulheres a serem mais autónomas e ajuda os inimigos da liberdade sexual", pode ler-se numa coluna do jornal francês.

Este é um artigo para defender o direito de agredir sexualmente as mulheres e para insultar as feministas, denunciou a ativista Caroline de Hass.

Marlen Schiappa, ministra francesa que está incumbida de lutar contra a violência contra as mulheres, disse à Reuters que o escândalo de Weinstein forçou a repensar a atitude contra o assédio sexual na França. "É uma pena que a nossa Catherine Deneuve se junte a este texto terrível".

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