Provedor diz que Santa Casa intervir no setor financeiro não é novidade

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Edmundo Martinho está a ser ouvido esta quarta-feira no Parlamento, para esclarecer contornos que envolvem a hipótese de a instituição entrar no capital do Montepio Geral. "O único limite é 10% do capital", revelou em audição perante os deputados da Comissão de Trabalho e Segurança Social.

Aos deputados o provedor da Santa Casa lembrou a tradição do investimento no sector financeiro e não só: a instituição investiu, por exemplo, em seguradoras.

O sucessor da Santa Casa explicou ainda que actualmente "está em curso processo de avaliação" e que "não está nada decidido".

Edmundo Martinho disse hoje que este valor não está definido e que o que há é a definição de um limite máximo de participação da SCML no setor financeiro, que advém de um parecer interno feito quando houve um estudo para eventual investimento no Novo Banco.

Nesse sentido, Edmundo Martinho espera que o estudo esteja pronto até ao fim do mês e que uma decisão final esteja para breve: "Contamos ter o estudo concluído algures no mês de janeiro".

Aliás, nas suas respostas, o provedor frisou que a situação económica da Santa Casa está "estabilizada", o que atribuiu "à gestão criteriosa e rigorosa ao longo dos anos".

A Santa Casa da Misericórdia, quis ainda acentuar o provedor, apresenta "uma situação financeira de enorme estabilidade e é essa estabilidade que permite avançar com investimentos sólidos, além das funções sociais".

Tudo indica que a SCML poderá entrar com 200 milhões de euros em troca de uma participação de 10% na CEMG, o que valoriza o banco em cerca de 2.000 milhões de euros.

Edmundo Martinho destacou a criação, no início da década de 2000, de um fundo imobiliário da SCML que "mobilizou 30% dos ativos da SCML", quando tutelava a Santa Casa "um ministro que é [hoje] muito crítico deste processo", referindo-se a Bagão Félix, que foi ministro da Segurança Social no Governo do PSD/CDS-PP liderado por Durão Barroso (2002-2004).

O provedor da Santa Casa - que sucedeu a Santana Lopes, que deixou o cargo para se candidatar a líder do PSD - afirmou ainda que que a instituição tem um histórico de intervenção no setor financeiro e que a eventual entrada no banco Montepio não seria uma situação nova, em resposta a críticas que têm sido feitas por várias personalidades. Sobre o estudo financeiro que está a decorrer, disse que não se trata de uma auditoria ao Montepio, uma vez que não cabe à SCML fazer isso, mas uma "avaliação financeira e autónoma da Caixa Económica" para perceber o "valor do banco".

Apesar de ter manifestado a vontade de a SCML contribuir para criar um grande banco da economia social, Edmundo Martinho disse esta quarta-feira que ainda decorre o processo de avaliação do Montepio para saber se a Santa Casa investirá, ou não, afirmando esperar que decisão seja tomada nas próximas semanas.

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