VW pode levar Autoeuropa para Marrocos — Antigo ministro alerta

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Mira Amaral era o ministro da Indústria de Cavaco Silva quando a Autoeuropa se instalou em Portugal.

"Se não houver juízo, a Autoeuropa está em situação de desvantagem em relação a outras fábricas que ficariam encantadas por receber novas produções", aponta Mira Amaral, sublinhando em particular o caso de Marrocos que "está a ter uma expansão fabulosa e tem recebido investimentos da indústria automóvel europeia". Em declarações ao "Diário de Notícias" esta terça-feira, pede "bom senso" aos trabalhadores e aos responsáveis sindicais, mas profetiza consequências trágicas caso as greves sucessivas se mantenham.

Para Mira Amaral, não se percebe o braço de ferro dos sindicatos e da empresa. "Não querem trabalhar ao sábado? Temos de ser realistas", acrescenta, notando que a Volkswagen "faz um investimento fabuloso num produto que já se sabe que vai ter grande aceitação" e que "criou mais postos de trabalho".

O grupo, autodenominado "Juntos pelos trabalhadores da Autoeuropa", diz que "não se tem sentido representado pela forma como a Comissão de Trabalhadores (CT) tem gerido o conflito em curso na Autoeuropa" e explica que, por esse motivo, recolheu as assinaturas necessárias para convocar os plenários de 20 de dezembro e aí apresentou o conjunto de propostas que viria a ser aprovado.

O dirigente do Sindicato dos Trabalhadores das Industrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul (SITESUL), afeto à CGTP, reiterou hoje que os trabalhadores pretendem que a Autoeuropa pague as despesas adicionais que vão ter, nomeadamente com os filhos, por passarem a trabalhar aos sábados a partir de 29 de janeiro.

O porta-voz do sindicato frisou ainda que "nunca esteve em causa a necessidade de trabalhar aos sábados na Autoeuropa, mas sim as circunstâncias da sua obrigatoriedade". Os trabalhadores ainda querem alterar o horário transitório anunciado unilateralmente pela empresa, para vigorar de Fevereiro a Julho deste ano.

Apesar do protagonismo assumido pelos sindicatos nos últimos meses, a administração da fábrica deverá manter-se fiel à política da empresa de só negociar com a Comissão de Trabalhadores, sendo certo que alguns dos representantes dos sindicatos também integram aquele órgão.

Como destaca a agência Lusa, a Autoeuropa estima produzir mais de 240 mil veículos Volkswagen T-Roc em 2018, quase triplicando a produção de 2016, o que levou a empresa a contratar cerca de dois mil novos trabalhadores e a implementar um sexto dia de produção, aos sábados, até julho deste ano.

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