Catalunha. Partido de Puigdemont dividido quanto a estratégia a adotar

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O presidente destituído do governo regional da Catalunha, Carles Puigdemont, lançou esta sexta-feira uma página da Internet para o autodenominado Governo da República Catalã.

Puigdemont quer entrar em colisão com o Estado, algo a que se opõem várias vozes, nomeadamente a do atual presidente do partido, Artur Mas.

Uma alternativa a seu nome é o de Oriol Junqueras, da Esquerda Republicana.

A sigla representada por Puigdemont, o Juntos pela Catalunha, travou um acordo com a Esquerda Republicana para reelegê-lo no Parlamento local como líder da comunidade autônoma. O que implica que não haverá bloqueio da constituição deste órgão, garantindo o início da legislatura. No caso de os independentistas avançarem com essa possibilidade, Madrid está preparado para actuar e recorrer de forma imediata, já que há razões jurídicas que garantem que a investidura do presidente regional tem de ser presencial e o candidato "pode falar desde a tribuna ou o assento [de deputado regional], não através do [ecrã de] plasma". Contudo, Carme Forcadell não deverá voltar ao cargo, por causa dos processos jurídicos que tem pendentes.

Para além da rasteira de Junqueras, começa a ser divulgado o conteúdo das reuniões dos advogados do parlamento catalão, que analisam o regulamento para perceber se seria admissível uma investidura à distância. Podem ser necessários vários meses para que surja um novo governo. O prazo para esta votação é dia 31 de janeiro e o candidato precisa de maioria absoluta para ser investido.

Nas eleições regionais antecipadas de 21 de dezembro, o JxCat se firmou como maior força separatista no Parlamento, elegendo 34 deputados.

O anúncio do acordo - inicialmente houve discrepâncias na mensagem e sobre se incluía ou não a eleição de Puigdemont - já foi comentado pelos outros partidos. O partido já sinalizou que provavelmente apoiará Puigdemont. Uma vez que se forme o Parlamento, os potenciais líderes do governo regional enfrentarão um voto de confiança. O governo prometeu investimentos de 4.200 milhões de euros na Catalunha até 2020, mas a região reivindicou mais poderes. "Não podemos ter um presidente holograma na Catalunha", disse numa entrevista televisiva. Os planos do ex-presidente catalão são, efetivamente, de legalidade duvidosa e reavivam a tensão institucional que, desde o ano passado, atingiu seu ápice com a tentativa de separação da Catalunha. O outro partido independentista, a Candidatura de Unidade Popular (CUP), conseguiu quatro cadeiras. O líder catalão, de 52 anos, proclamou a independência da região após o resultado do referendo.

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