Merkel inicia negociações com sociais-democratas para formar governo

Ajustar Comente Impressão

A chanceler alemã Angela Merkel afirmou nesta quinta-feira que ainda há grandes obstáculos no caminho para um acordo de governo entre conservadores e social-democratas. À excepção de algumas medidas ao nível interno, como é exemplo o aumento do salário mínimo aprovado na última legislatura, não se fez sentir a influência do partido júnior da grande coligação, algo bem patente na política europeia.

"Acho que alcançamos resultados excelentes", disse Schulz, depois que os conservadores e o SPD concordaram em um plano para negociações formais de coalizão durante conversas exploratórias.

Merkel tem dito que os seus democratas-cristãos (CDU) querem apenas negociar uma "grande coligação", como aquela que lhe permitiu Governar a Alemanha desde 2013, mas Martin Schulz tem sublinhado que outras opções, como o apoio do seu SPD a um governo conservador minoritário, devem manter-se sobre a mesa.

O princípio de acordo entre a CDU e o SPD abre assim porta à renovada 'grande coligação governamental', após as negociações entre os liberais (FDP) e os Verdes terem fracassado em novembro.

Para o analista político Karl-Rudolf Korte, a dirigente, enfraquecida depois de obter uma vitória decepcionante nas eleições de setembro, estará acabada no caso de um novo revés.

A política de abertura de fronteiras aos refugiados em 2015 dificilmente será apresentada por Angela Merkel nos mesmos moldes, tendo em conta as pressões da CSU, partido- -irmão da Baviera, que concorrerá nas eleições regionais do próximo outono e defende cortes nos subsídios aos refugiados e requisitos mais apertados na concessão de asilo.

Pouco antes, a chanceler e o presidente do partido bávaro seu aliado CSU, Horst Seehofer, tinham-se reunido para definir uma posição conjunta em relação aos social-democratas. Desta vez as coisas podem ser diferentes, desde logo porque Angela Merkel já se mostrou disponível para inaugurar um novo período na integração europeia.

"Ao mesmo tempo, parece-me óbvio que vamos ter imenso trabalho pela frente durante os próximos dias, mas estamos dispostos a encará-lo e a conseguir um bom resultado", afiançou Merkel, citada pelo "Guardian".

Além disso, o SPD está muito dividido sobre a oportunidade de continuar a governar com os democratas-cristãos. "Estamos todos de acordo em tornar-nos no maior partido da oposição", disse Shulz em reacção às primeiras projecções.

Comentários