Merkel e sociais-democratas iniciam negociações para formar governo

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Se negociações falharem, Alemanha pode ter novas eleições.Após mais de três meses sem governo, a chanceler federal alemã, Angela Merkel, tenta encerrar a novela política no país neste domingo (07/01), quando começam as sondagens entre os conservadores cristãos e o Partido Social-Democrata (SPD) sobre uma reedição da última coalizão de governo.

Segundo a Sky News, ambos partidos têm conversações marcadas para dia 7 de Janeiro, que abrirão caminho para a negociação de um governo de coligação.

Os partidos concordaram em não dar informação aos media até ao final destas conversações exploratórias, previsto para quinta-feira. No entanto, há ainda obstáculos que poderão impedir, ou pelo menos dificultar, um acordo final de Governo.

Na base do compromisso obtido entre os negociadores dos dois campos após mais de 24 horas de negociações, a direção dos sociais-democratas, reunida em Berlim, "vai mandatar uma comissão" que manterá as conversações com os conservadores para um contrato de coligação, indicou o SPD em comunicado. Nas últimas eleições federais, o SPD obteve mesmo o pior resultado do pós-Guerra. O editor de política do "Rheinische Post" acrescenta que o tema está a levantar muitos problemas "e pode mesmo prejudicar as negociações na tentativa de formação de uma coligação".

Mas mesmo que mereça aprovação dos diferentes partidos, a formação de um novo governo deverá levar semanas, não devendo ficar concluída antes de Março ou mesmo Abril.

As declarações de fontes ligadas à União Cristã-Democrata (CDU), de Merkel, e ao SPD indicam que os dois deram a meta como inalcançável.

A chanceler alemã, Angela Merkel, manifestou-se esta sexta-feira otimista quanto à formação de um governo de coligação com os sociais-democratas, enquanto o líder do SPD, Martin Schulz, classificou o acordo hoje alcançado como "notável".

As negociações preveem-se particularmente difíceis, em particular devido às divergências sobre a política migratória ou a Europa entre a CSU e o SPD.

O SPD, que participou da grande coalizão que governou a Alemanha de 2013 a 2017, havia decidido inicialmente que não participaria da nova administração, depois do fraco desempenho nas eleições legislativas de setembro. À excepção de algumas medidas ao nível interno, como é exemplo o aumento do salário mínimo aprovado na última legislatura, não se fez sentir a influência do partido júnior da grande coligação, algo bem patente na política europeia.

Quanto à questão europeia, é difícil prever qual a posição da chanceler em relação à pretensão de Schulz de transformar a organização comunitária numa entidade de natureza federal, até 2025, denominada "Estados Unidos da Europa". Um longo processo que pode ser ainda mais longo.

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