Alvo de 800 acusações, Zuma diz que pedido de renúncia é injusto

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A direcção do partido tem o poder de solicitar a saída dos seus membros que estejam em função governamental, como aconteceu em 2008 no caso do presidente Thabo Mbeki, que cumpriu a decisão e renunciou. A pressão sobre Zuma, envolvido em diversas denúncias de corrupção, aumentou depois da troca no comando do CNA, agora a cargo de Cyril Ramaphosa, rival de Zuma.

O ANC avançou que, caso Zuma não se demita do cargo, irá apresentar uma uma moção de censura na quinta-feira.

O novo presidente do ANC, Cyril Ramaphosa, realiza há vários dias negociações diretas com o presidente Zuma para discutir a transição política.

Zuma disse além disso que irá emitir uma declaração mais tarde nesta quarta-feira.

Mais cedo, ele considerou "muito injusto" que seu partido, o Congresso Nacional Africano (ANC), exija sua renúncia, estimando que não há nada que justifique essa medida.

A seca histórica que assola a África do Sul levou as autoridades a proclamarem o estado de catástrofe natural em todo o país.

"Zuma violou a Constituição" e o "parlamento escusou-se" a pedir-lhe responsabilidades, disse o líder da Aliança Democrática (AD), Mmusi Maimame, vincando a necessidade de "dissolução do parlamento" e a antecipação das legislativas. As eleições na África do Sul estão agendadas para 2019, mas o governo quer afastar Zuma, alegando que as acusações podem prejudicar a imagem do CNA e de Ramphosa.

Mas a executiva nacional do CNA ficou dividida sobre quando exatamente Zuma deveria sair, completou Magashule. Caso o presidente se negue a deixar o cargo, a ANC pode entrar com uma ação de não-confiança contra ele no Congresso.

Partidos da oposição também pressionam pela saída de Zuma, mas preferem que as eleições do ano que vem sejam antecipadas, em uma aparente tentativa de capitalizar o descontentamento geral com o CNA. No entanto, o partido tem todo o interesse para que o chefe de Estado se demita sem ser forçado.

De acordo com a agência Efe, Zuma é alvo de várias acusações, incluindo quase 800 por corrupção relativa a contratos de armas do final dos anos 1990 ou às investigações por ter usado o Estado para favorecer empresários vinculados com concessões públicas milionárias.

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