Unilever ameaça retirar anúncios do Facebook e Google

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A Unilever, o segundo maior anunciante do mundo a seguir à concorrente Procter&Gamble, está a ponderar deixar de anunciar em plataformas digitais como o Google e o Facebook, os dois maiores suportes publicitários a nível mundial, se estes meios criarem divisão, incentivarem o ódio e não protegerem as crianças.

Na conferência anual da Interactive Advertising Bureau, que está a decorrer na Califórnia, Keith Weed apontou para duas razões: métricas e qualidade dos conteúdos onde aparecem os anúncios.

"Não podemos continuar a apoiar uma cadeia de fornecedores digitais, que distribui mais de um quarto da nossa publicidade dirigida aos consumidores, que normalmente é tão transparente como um pântano", ironiza o responsável da Unilever, que em Portugal comercializa marcas como a Dove, Axe, Cif, Knorr, Lipton e os gelados da Olá, entre outras.

A Unilever, que fabrica os produtos da marca Dove, o sabão em pó Omo e a maionese Hellmann's (entre tantos outros), investiu o equivalente a 9,4 bilhões de reais em publicidade no ano passado - o marketing digital responde por um terço desse montante, segundo a Reuters.

Um dos maiores anunciantes do mundo, com verbas anuais para publicidade na ordem dos €8 mil milhões, dos quais 25% para o digital, está preocupada com a proliferação de conteúdos censuráveis que está a minar a confiança social e a pôr em causa as democracias e isso "não se pode ignorar". Apenas a Procter & Gamble consegue ultrapassar estes números.

No texto, segundo a agência, Weed deve afirmar que a Unilever não pretende continuar anunciando em plataformas que não estão comprometidas em contribuir positivamente para a sociedade.

Falando especificamente sobre o Facebook, o que tem também desagradado algumas companhias, além de veículos de comunicação, é a mudança de algoritmos que passou a priorizar o alcance de conteúdos produzidos por amigos e familiares em detrimento de notícias ou publicações de marcas.

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