Marcelo não fala sobre questões internas espanholas — Catalunha

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Em entrevista ao jornal espanhol "El País", o chefe de Estado português sublinha que Portugal tem "excelentes" relações com Espanha e espera que as eleições europeias de 2019 sejam "uma expressão de propostas positivas e não de insatisfação".

Nesta ocasião, recusou falar sobre a discussão em torno do Programa de Estabilidade apresentado pelo Governo: "Em visitas ao estrangeiro nunca comento a situação política, económica ou social nacional e, portanto, não iria abrir uma exceção a esse princípio que tenho adotado sistematicamente", justificou.

"Em Espanha, não irei falar de questões portuguesas", reforçou. Não pode haver uma forte política europeia com sistemas políticos de Estados-membros fracos.

"Portugal já manifestou pelo seu governo a compreensão para com a razão e a oportunidade da intervenção de três amigos e aliados, limitada a estruturas de produção e distribuição de armas estritamente proibidas pelo direito internacional e cujo uso é intolerável e condenável", começou por afirmar o Presidente da República, nas cerimónias do Dia do Combatente, centenário da Batalha de La Lys, no Mosteiro da Batalha.

Na terça-feira, Marcelo Rebelo de Sousa irá falar na abertura de um Encontro Empresarial Espanha-Portugal, na sede da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais (CEOE), e encontrar-se com jovens portugueses, na residência do embaixador de Portugal em Madrid, Francisco Ribeiro de Menezes. "Perdemos muito tempo", indica.

"Todos os dias há empresários portugueses a chegarem ao universo ibero-americano, todos os dias há empresários espanhóis a chegarem ao universo lusófono".

Segundo o Presidente da República, "o que se está a passar, efetivamente, é que, com a democracia e com a integração europeia, e depois com o peso crescente na lusofonia, de um lado, do universo ibero-americano, do outro, entrou-se numa nova fase do relacionamento entre Portugal e Espanha, completamente diferente do passado".

Sobre a sua visita de Estado a Espanha, disse que é, "antes do mais, uma visita de retribuição" da visita que os reis Felipe VI e Letizia fizeram a Portugal em novembro de 2016, e também "uma manifestação de vizinhança, de proximidade, de amizade".

Marcelo Rebelo de Sousa defende que a Europa tem de avançar nos próximos "seis a nove meses" na União Económica e Monetária, na aprovação do próximo quadro financeiro plurianual, na definição de uma política de segurança e defesa e de um plano comum para as migrações e refugiados.

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