Brasil vai pedir acesso a documentos da CIA sobre ditadura militar

Ajustar Comente Impressão

Levantamento do G1 com base em registros da Comissão Nacional da Verdade mostra que 89 pessoas morreram ou desapareceram após 1º de abril de 1974, data a partir da qual, segundo o documento da CIA, Geisel autorizou a execução de opositores.

O Instituto Vladimir Herzog vem a público manifestar seu estarrecimento com as informações de que o ex-presidente Ernesto Geisel aprovou a continuidade de uma política de execuções sumárias daqueles que ousavam se manifestar contra a ditadura militar que aterrorizou o Brasil entre 1964 e 1985.

Ivo Herzog, filho do jornalista Vladimir Herzog, assassinado durante a ditadura militar, pediu, em uma carta enviada ao ministro Aloysio Nunes, das Relações Exteriores, na última sexta-feira, que o governo brasileiro solicitasse os documentos que registram a participação de agentes do estado em torturas e assassinatos ocorridos à época.

De acordo com registros da CIA, os generais Ernesto Geisel, presidente do Brasil à época, e João Figueiredo, então diretor do Serviço Nacional de Informações (SNI), e que assumiu a Presidência da República depois de Geisel, sabiam e concordaram com execução sumária de "inimigos" da ditadura militar no Brasil.

O general Milton Tavares, segundo o documento, disse que o Brasil não poderia ignorar a “ameaça terrorista e subversiva”, que os métodos “extra-legais deveriam continuar a ser empregados contra subversivos perigosos” e que, no ano anterior, 1973, 104 pessoas “nesta categoria” tinham sido sumariamente executadas pelo Centro de Inteligência do Exército”.

Na ocasião, o CIE recebeu autorização de Geisel para manter o método, mas restringido aos "casos excepcionais", que envolvessem "subversivos perigosos".

São Paulo, 11 de maio de 2018.

Na carta, Ivo destacou a descoberta de "novos fatos" sobre o envolvimento do Estado na "morte e tortura de seus opositores", durante a gestão de Geisel. Tais fatos foram expostos como fruto de pesquisas em materiais de arquivos preservados pelo Governo dos Estados Unidos da América.

O Ministério das Relações Exteriores vai pedir ao governo dos Estados Unidos a liberação dos documentos produzidos pela Agência Central de Inteligência (CIA, sigla em inglês) sobre a ditadura civil-militar no Brasil.

"O senhor, assim como nossa família, sabe o que foi o terror e a violência promovida pela ditadura brasileira".

"Uma nação precisa conhecer sua história oficialmente para ter políticas públicas que previnam que os erros do passado se repitam", conclui Ivo Herzog.

Comentários