Fachin autoriza inquérito para investigar repasses da J&F ao MDB

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Saud cita que o esquema teria beneficiado os senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Eduardo Braga (MDB-AM), Jader Barbalho (MDB-PA), Roberto Requião (MDB-PR), Eunicio Oliveira (MDB-CE), Valdir Raupp (MDB-RO), Edison Lobão (MDB-MA) e Romero Jucá (MDB-RR), além do atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Vital do Rego.

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, determinou a abertura de um inquérito para apurar se houve crime em doações eleitorais do grupo J&F, holding que controla a JBS, a políticos do MDB nas eleições de 2014, conforme decisão do magistrado obtida pela Reuters.

Sérgio Machado disse ter chegado ao conhecimento dele a informação de que a empresa JBS, do grupo J&F, faria doações de R$ 40 milhões à bancada do MDB do Senado em 2014 a pedido do PT.

Relator da Lava Jato no Supremo, Fachin autorizou a abertura do inquérito atendendo a um pedido da Procuradoria Geral da República (PGR), apresentado em abril. A procuradora-geral, Raquel Dodge, destacou que as suspeitas são baseadas nas delações premiadas de Sérgio Machado, ex-senador pelo MDB e ex-presidente da Transpetro, e de Ricardo Saud, ex-executivo da J&F.

Segundo o delator, o pagamento milionário tinha o objetivo de manter a unidade do MDB, devido ao risco na época dos fatos de que integrantes do partido passassem a apoiar formalmente a campanha do senador Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência da República em 2014.

Henrique Eduardo Alves: teria recebido ilegalmente R$ 2,9 milhões.

Ao decidir pela abertura do inquérito, Fachin explicou que, no momento, não é possível dividir a investigação sobre as pessoas sem foro privilegiado porque houve "descrição de condutas materialmente imbricadas".

Braga vai ser investigado no inquérito que Fachin mandou a Polícia Federal realizar, em prazo de 60 dias, com coleta de provas.

"Nessa toada, e em juízo preambular, eis que ainda não sujeito a qualquer contraditório, há razão suficiente para, neste momento, reconhecer que os fatos ocorridos denotam especial interligação nas condutas atribuídas a parlamentares federais e aos demais envolvidos, a recomendar a persecução abrangente dos fatos narrados e evitar decisões contraditórias", escreveu o relator da Lava Jato.

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